Parte II - As dificuldades para aquisição de Software na Administração.

22/03/2017

De acordo com, Rodney Idankas, Diretor de Tecnologia da Informação do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCESP) e Coordenador e Conteudista da Enable People Service e Cecília Yukari Akao, Agente da Fiscalização Financeira do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCESP) , a  APF - Análise de Pontos de Função - é uma técnica que propõe métricas para a medição de um sistema de informações com base nas funcionalidades que o software deve fornecer, de acordo com a perspectiva do usuário.

Uma das vantagens da utilização da APF é que esta independe da tecnologia empregada e da metodologia de desenvolvimento, pois se baseia na medição das funcionalidades de um software. Precisamos pensar melhor nisso: isto quer dizer que a APF mede "o que" o software faz e não "como" o software deve ser feito.

A unidade denominada Ponto de Função mede o tamanho funcional (FSM - Functional Size Measurement) de um software. Dessa forma, as estimativas de recursos e prazo podem ser realizadas baseadas na quantidade de Pontos de Função do projeto.

Existem várias métricas para a contagem de pontos de função, entre os quais se destacam:

• Contatem de Pontos de Função do IFPUG;

• Contagem de Pontos de Função Indicativa da NESMA;

• Contagem de Pontos de Função Estimativa da NESMA;

A métrica Pontos de Função foi definida por Allan Albrecht em 1979 e seu uso se difundiu nos anos seguintes, até culminar com a formação do IFPUG (International Function Point Users Group), criado em 1986. O IFPUG é o órgão responsável pela atualização do Manual de Práticas de Contagem de Pontos de Função - CPM (Counting Practices Manual), que define as regras de contagem de Pontos de Função.

A NESMA - Netherlands Software Metrics Association (Associação de Métricas de Software da Holanda) é uma organização similar ao IFPUG, fundada em 1989, também composta por voluntários, que mantém seu próprio Manual de Práticas de Contagens.

A vantagem da utilização dos métodos estimativo e indicativo para a contagem de Pontos de Função desenvolvidos pela NESMA é que uma contagem pode ser realizada nos momentos iniciais do ciclo de vida de um sistema, em que os requisitos funcionais podem não estar claramente definidos ou detalhados. A contagem indicativa da NESMA é também conhecida no mundo como "método holandês".

É importante observar que o objetivo da medição em Pontos de Função não é o de medir diretamente esforço, produtividade ou custo. Mas em conjunto com outras variáveis - como a tecnologia utilizada, capacitação e conhecimento da equipe, metodologia de desenvolvimento, etc. - a quantidade de Pontos de Função medidos poderá ser usada para derivar produtividade, estimar esforço e custo do projeto de software. Além disso, o acompanhamento do desenvolvimento de software poderá ser realizado utilizando-se os Pontos de Função - por exemplo, verificando se as funcionalidades (mais precisamente, tamanho funcional em pontos de função) estão sendo entregues no prazo.

A adoção da APF, além de substituir as estimativas feitas atualmente, tende também a substituir os modelos de contratação por homem/hora ou por postos de trabalho. Por isso, inicialmente é esperada a resistência de várias partes acostumadas a estes formatos de contratação.

Tudo que inova incomoda a quem está na zona de conforto. A informática é assim, sempre ligada na "velocidade dos bits"!

Vale ressaltar que a adoção da APF é um caminho a ser consolidado na Administração Pública paulista, pois se trata de uma medida de tamanho funcional para projetos de desenvolvimento e de melhoria (manutenção evolutiva) de software.

A Análise de Ponto por Função permite a medição objetiva de serviços de desenvolvimento de soluções de software, por isso a adoção dessa medida é uma boa prática na contratação de serviços e está aderente ao Principio da Eficiência.

Finalmente, vale lembrar que pelo fato destas estimativas serem voltadas para o tamanho funcional, isto é, principalmente voltada à visão do usuário, é necessário considerar que estas estimativas não incluem as perspectivas de melhorias de desempenho, usabilidade, facilidade de manutenção de software, entre outros, conhecidos como requisitos não funcionais. Por este motivo, o IFPUG adotou o SNAP (Software Non-functional Assessment Process) para ser utilizado em conjunto com o tamanho funcional para explicar a variância no esforço de desenvolvimento, produtividade e prazos.

Trata-se de um novo paradigma a ser analisado pelos gestores públicos na contratação de empresas desenvolvedoras de software.

Autores: Rodney Idankas, Diretor de Tecnologia da Informação do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCESP) e Cecília Yukari Akao é Agente da Fiscalização Financeira